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Low Code versus SaaS: buy or build?

Recentemente li em um artigo uma provocação sobre o boom das soluções Low Code e como isso pode e deve afetar o universo do bom e velho amigo de todos os venture capitalists: o SaaS. Confesso que mesmo ainda não tendo digerido por completo a discussão, resolvi esboçar uma breve nota de rodapé. O dilema entre build vs buy software tem tomado uma proporção, que até meados de 2021, no auge do império SaaS, não se imaginava. É justamente aqui que as soluções Low Code estão abrindo frente e começando a engolir os “non critical” SaaS.


Para deixar todos na mesma página, vale um recap do que são soluções Low Code. Acredito que o melhor exemplo seja a plataforma Wix. O Wix é uma solução que permite que qualquer pessoa seja capaz de criar, gerenciar e desenvolver um website através de modelos e ferramentas hospedadas em nuvem. Isso parece simplório quando olhamos para o mercado e a realidade atual, mas há pouco tempo toda a elaboração e estrutura de uma página online era feita exclusivamente por linguagens de programação, ou seja, restrito a desenvolvedores ou curiosos que estariam dispostos a desenvolver uma nova habilidade. A plataforma Wix é a ilustração mais intuitiva quando pensamos em Low Code.


Aproveitando o gancho, uma outra ressalva importante é sobre o conceito de “non critical” e “critical” dentro do universo de SaaS. Como todo bom exemplo este também será lúdico. Pensem em uma empresa que precisa fazer a gestão e controle de toda a sua operação, de forma que os processos sejam registrados e monitorados através de um grande servidor conectado a nuvem. A gestão financeira feita através de um ERP (Enterprise Resource Planning), que nada mais é do que um software para armazenar e unificar os dados, é um pilar crítico e central para a empresa justamente por integrar e organizar diversas áreas e processos em um único sistema. Na contramão, uma ferramenta que forneça soluções para a gestão de despesas de viagens é algo periférico (“non critical”), assim como o gerenciamento de talentos. Por óbvio, são controles que possuem relação direta com o business, mas aqui falamos com um olhar do core, da espinha dorsal da gestão empresarial. E voilá, agora podemos falar sobre o grande duelo.


Antes a ideia de se construir de fato um software trazia grande impacto por uma questão de custos, principalmente quando atribuído a aplicações de baixa e/ou média complexidade. No entanto, o cenário parece estar mudando em um pace inferior ao que imaginávamos – sprint final para a tão famosa Inteligência Artificial. Como em todo império bem construído, com súditos fiéis, fortalezas bem protegidas, estratégias de defesa e técnicas de ataque, sabemos que soluções como Monday, Salesforce, Twilio, Workday e Asana ainda tem folga para desfrutar de certa tranquilidade – talvez seja interessante que o ócio esteja flutuando em alternativas e estratégias de crescimento e desenvolvimento interno, but it’s just a comment.


Mas por que trazer estes nomes? A resposta é relativamente simples. As soluções Low Code estão surfando na janela de oportunidade não apenas dos custos e democratização da tecnologia como um todo, mas também no que antes não enxergávamos com os SaaS: a possibilidade de customização, versatilidade e integração. Aqui é onde separamos o joio do trigo, ou melhor, os pequenos reinos (“non critical”) dos verdadeiros imperadores (“real Saas”). Mesmo com a ameaça apenas começando a aparecer no horizonte, é bom estarmos em estado de alerta para as possíveis transformações e movimentos que isto pode trazer. Inclusive, pararmos para refletir quais serão de fato os reinos que entrarão em ruínas e nos preparar para o fim de uma safra e início de outra – a delícia e a dor de ser um tech investor (!!!).


A tecnologia Low Code permite muito além do que a viabilidade de se construir o seu próprio software, ainda mais em um mundo tão aberto a disrupção e tão faminto por facilities, otimização e sedento por diferenciação. Até que ponto estarão os founders dispostos a comprar soluções prontas ao invés de construir e ter aquela para chamar de sua? Já imagino aqui um novo cargo de LinkedIn: Founder & Owner. Brincadeiras à parte – e aqui todo o crédito a um de meus parceiros de trabalho (hi mr. Petrus, it’s you) –, existem outras barreiras que ainda são capazes de tirar das empresas o poder de usar apenas o Low Code, como por exemplo mission criticality (disponibilidade de aplicações), segurança, garantia de uptime (funcionamento do servidor) e alta especificidade – e, mesmo assim, os no-code/low-codes tão cada vez mais flexíveis para abocanhar esse fator.


Faixa bônus: uma outra rota que as plataformas Low Code estão desbravando é a transição para Cloud. Vale dizer que quase não existem negócios que de fato optem por ter os seus próprios data centers, data lakes e warehouses – exceto as mega techs. As novas soluções estão iniciando a sua jornada rumo a esta conquista, muitas já são capazes de integrar na nuvem, de maneira inteligente e com custo de transição baixo. O upside é que conseguimos facilmente sair de uma plataforma de Cloud em pouco tempo e com pouca perda de informação.


Big changes are coming?

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